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HEROÍNA DO MÊS

A belga Martine Renwart poderia ser apenas uma estrangeira que se apaixona pelo Brasil e compra uma casinha no sul da Bahia. Mas ela foi além: criou uma creche, um posto de saúde e levou água doce a Corumbau.

Foi um dia inesquecível para Corumbau. Naquela tarde de fevereiro de 2005, um chuveiro foi instalado no meio da pequena vila de pescadores, no sul da Bahia, e a fila de gente durou dia e noite -todo mundo querendo tomar banho para comemorar a chegada da água doce. Até então, a pouca água encanada que havia era puxada de um rio e saía aos pingos. A belga Martine Renwart, dona de uma casa na vila, resolveu dar um jeito naquilo e chamou um técnico para cavar um poço artesiano. Ninguém botou muita fé no projeto. Foram dias e dias de escavações, diante da aldeia toda, incrédula. "Quando o poço chegou a 120 metros, só havia rochas no fundo, tive medo de que não desse certo", diz Martine. Mas o técnico continuou cavando e, aos 128 metros, a água jorrou. "Foi uma festa!", lembra ela.

Este não foi o primeiro nem o último grande feito de Martine na comunidade. Desde que "descobriu" Corumbau, em 2002, a belga sentiu que naquele lugar poderia realizar seu sonho de desenvolver um trabalho social. Martine estava de férias e viu ali um paraíso sem luz e sem água encanada, abandonado aos caprichos do mar -fonte de sustento da maioria de seus 350 habitantes. Em dois dias, ela comprou a casinha de um pescador e, no fim das férias, voltou para a Bélgica com a cabeça cheia de planos. "Eu queria que Corumbau continuasse pequena e preservada, mas que a população vivesse melhor", diz.

Seu desejo foi atendido: embora seja um dos destinos turísticos da moda (ver Top 10 Viagem), Corumbau continua quase intocada. Mas os pescadores vivem muito melhor do que há quatro anos. E Martine tem tudo a ver com isso: entre 2002 e 2004, ela promoveu concertos para arrecadar dinheiro para seus projetos no Brasil. Na época, Martine era diretora artística do Teatro Municipal de Bruxelas.
Em 2004, ela voltou a Corumbau com uma mala de brinquedos para as crianças. "Quando cheguei, tive um clique: em vez de distribuir os presentes, por que não abrir uma creche para todos brincarem?" Uma sala da única escola local foi cedida para o seu primeiro projeto. Duas moças, pagas por Martine, cuidavam das crianças.

Depois do poço artesiano, veio a inauguração do primeiro posto de primeiros socorros, instalado numa pequena casa que ela comprou e doou à comunidade. Os remédios foram adquiridos com o dinheiro das campanhas. "Antes, aqui não tinha nem uma Aspirina", diz a baiana Maria D'Ajuda Bonfim, a Dadá, de 25 anos. Mãe de três meninas, de 8, 5 e 2 anos, Dadá é arrumadeira e pode trabalhar sossegada com as filhas na creche. Também não precisa mais carregar baldes na cabeça para ter água em casa nem viajar duas horas de ônibus até Prado (o município mais próximo) quando alguém fica doente. "A Martine foi uma bênção para nós. No começo, alguns ficaram desconfiados com as mudanças, mas agora todo mundo adora ela", diz Dadá.

Hoje, Martine vive entre Corumbau e Bruxelas, onde usa seus contatos na área de música para promover eventos. Neste mês, ela está na Bélgica. É seu aniversário. Mas a festa que preparou não é para si. Ela organizou o maior concerto beneficente de sua vida, em um teatro de 850 lugares. Os euros arrecadados renderão novos projetos, como oficinas de artesanato e capacitação profissional. Tudo indica que Corumbau terá mais motivos para festejar.

COMO AJUDAR
Você pode colaborar com doações em dinheiro, livros, remédios, computadores etc. Também pode trabalhar como voluntária em Corumbau, ensinando artes ou ofícios, ou na área de saúde. Basta entrar em contato com Martine por e-mail (martineaubresil@hotmail.com) ou por telefone (73-8804-4784).


POR IARA BIDERMAN


Se você conhece outras histórias de mulheres comuns que realizam feitos extraordinários, escreva para mclaire@edglobo.com.br, ou Av. Jaguaré, 1.485/1.487, Jaguaré, São Paulo-SP, CEP 05346-902. Ou então entre no site www.editoraglobo.com.br/generosidade e conte histórias de pessoas que praticaram atos solidários.


Alguém lembra da reportagem acima? É de outubro de 2006, veículada na revista Marie Claire, n.º 187.
  • Quem tem interesse pela caminhada de Martine e as novidades para visitar a cidade hospedando-se em Loin de Tout (idéia de Martine), acesse o link: http://www.loindetout.eu/pt/rates.html ou procure na internet.


Escrito por Escrito por Luciane às 13h59
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Sinceramente! Melhor vir escrever um espacinho no BLOG que assistir à televisão. Informação é importante, mas a que nos repassam nos telejornais brasileiros, por exemplo, não me contenta. Não é informação, é veiculação de notícia previamente autorizada pela emissora para ser publicada. Filtram o que deveriam informar e passam e repassam assuntos que são explorados pela mídia sensacionalista. Bom, essa é a minha opinião, podendo claro, existir quem pense o contrário.

O que vem me preocupando na atualidade é a decaída da moral e bons costumes. Muito é discutido sobre a corrupção que existe no meio político, entre os nossos representantes, e muito já se ouviu sobre a origem desse mal: o próprio povo e a cultura que o cerca. A problematização é que não muito tempo atrás, cerca de algumas décadas a situação era um pouco diferente. Havia a tal da 'palavra dada', a força do contrato verbal, que por si, gera a presunção de que as pessoas daquela época eram mais honestas, guiavam-se pela 'honra' de um nome. Pena que as gerações futuras destas casas de 'honra' foram se desintegrando com o passar dos tempos, com a prática da "Lei de Gerson".

Para se mudar um país, é necessário mudar o povo. Não se deve abstrair a cultura, mas apenas aspectos da cultura que ali foram implantados com o passar do tempo como ervas daninhas, modismos incômodos que só servem para prestar favor a uma minoria que se locupleta às custas da inocência e ignorância de muita gente. Por isto, informação é necessária, mas também educação, não só a educação levada aos alunos pelas escolas, mas principalmente a educação dos pais aos filhos. Sim, aquela antiga, de arrumar tempo, sentar-se defronte ao horizonte com o filho ao lado, e explicar-lhe, mesmo através de estórias ou parábolas, o porque se deve dar valor ao nome, à família, à moral e honestidade, e que estas serão as bases para se formar um homem íntegro.

Nessa minha trajetória até aqui, sempre acreditei nas pessoas, e muitas, muitas vezes fui enganada, minha fé abalada. Mas não posso parar de acreditar que as pessoas podem ser diferentes, mesmo aquelas que tem o hábito de garantir para si - levar a melhor. Acredito que até estas pessoas podem ser incentivadas a mudar o comportamento. É uma questão de prática diária de promover o bem, de ensinar, de se resignar.

Espero que em algo, esteja certa.

Boa Noite.



Escrito por Escrito por Luciane às 23h21
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